A alta de 0,50 ponto percentual na taxa básica de juros – confirmada nesta quarta-feira pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central – não trará mudanças significativas nas operações de crédito para o consumidor final. Segundo levantamento realizado pela Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), a taxa média de linha de crédito para pessoa física deve subir um ponto percentual, de 122,71% para 123,71% ao ano, mas o valor das parcelas não sofrerá grandes impactos.
Segundo Miguel de Oliveira, vice-presidente da Anefac, os consumidores não devem sentir muita diferença com a alta da Selic porque há um "deslocamento muito grande" entre as taxas. “Isso provoca uma variação de mais de 1000% entre as duas pontas”, diz.
Em simulação, Oliveira mostra que a compra de uma geladeira parcelada em 12 vezes teria um acréscimo de R$ 4,68 no valor total. A prestação subiria de R$ 177,74 ao mês (com juros finais de 5,88% mensais) para R$ 178,13. Na compra de um carro popular, no valor de R$ 25 mil, em 60 meses, as prestações terão um acréscimo de R$ 7,37 ao mês, acrescentando R$ 442,20 no total do financiamento.
Até mesmo o cheque especial – um dos grandes vilões do consumidor – não sofrerá grandes mudanças
com a alta da Selic. A simulação da Anefac mostra que a utilização do limite no valor de R$ 1 mil por 20 dias custaria R$ 50 de juros com a taxa antiga e R$ 50,27 após a alta confirmada pelo Copom.
Miguel de Oliveira explica que nas duas altas da Selic promovidas anteriormente, que corresponderam à elevação da taxa em 1,50 ponto percentual, os juros ao consumidor subiram em velocidade menor: 0,75 ponto. “Até o encontro desta quarta-feira, as taxas ao consumidor haviam subido em cinco oportunidades e a Selic subiu duas vezes”, completa o vice-presidente da Anefac.
Decisão:
Nesta quarta-feira, o Copom confirmou a alta da taxa Selic em 0,50 ponto percentual, para 10,75% ao ano. Em decisão unânime, a autoridade monetária desacelerou o ritmo de alta dos juros, já que nas duas reuniões anteriores a elevação havia sido de 0,75 ponto.
Em comunicado divulgado após o encontro, o BC disse que há um "processo de redução de riscos para o cenário inflacionário que se configura desde a última reunião do Copom". Esse movimento, na análise do BC, "se deve à evolução recente de fatores domésticos e externos".
Após a reunião anterior – realizada em junho – havia um consenso no mercado de que o Copom manteria a dose de alta também no encontro de julho. No entanto, a economia demonstrou sinais de desaquecimento e o Banco Central decidiu reduzir o ritmo de alta.
Nesta semana, o IPCA -15, prévia da inflação oficial, apontou deflação de 0,09%, mudando a percepção dos operadores sobre o comportamento dos preços. Foi o primeiro índice de deflação em quatro anos, o que jogou para baixo a expectativa das taxas de juros no mercado futuro para o início de 2011.
IG